sexta-feira, 23 de novembro de 2012

o ginásio, os jantares, as sextas-feiras e o Nicolau

Pois bem, a semana acabou por passar depressa (ainda bem) e finalmente decidi-me a mudar de ginásio. Lá fui, de mochila ao ombro, para experimentar um novo local de treino, toda empolgada. E valeu a pena. Estou toda rota hoje, motivada, cheia de vontade de voltar. Voltei a sentir alegria por estar "a sofrer milhões" esticada num tapete com 3 kgs em cada braço a fazer tricípes. A cada abdominal, os músculos gritavam de dor: e que bom que é! Banho tomado, músculos a latejar, fiquei convencida. Vou voltar, e para a semana, definitivamente. Mais uma vitória das forças do bem!

Adiante, fomos jantar. Mais uma vez, o bacalhau do sítio é ótimo, mas não justifica o preço... foi bom, com boa companhia, passou-se um bocado porreiro... mas não volto lá nos próximos 6 meses, que para ser roubada chega-me o Gaspar!

E hoje é sexta-feira! Yupi! Fim de semana à porta, com perspectivas muito muito boas!



Para terminar, resta-me um comentário ao senhor Nicolau Santos, que escreveu esta notícia aqui. A história é comovente, mas é acima de tudo conveniente. Histórias destas repetem-se todos os dias, em todas as vilas e cidades deste país. Meninos e meninas, jovens e adultos, que basicamente deixaram de ter como viver, e passaram a sobreviver. Se têm culpa? 70% deles não. E os outros 30% que é que interessa se tiveram culpa ou não? Mas se calhar o Gaspar também não tem culpa de tudo. Tem culpa de muito do que se passa agora, ao não olhar a meios para atingir os fins, ao não abrandar na austeridade e ao não forçar um alargamento do prazo. Mas the bottom line is: isto iria acontecer, se não hoje, daqui a meses. Porque não soubémos viver no tempo das vacas gordas. Porque os lobbies e os "jobs for the boys" e as cunhas e a corrupção e "os amigos" escangalharam este pequeno país. Mas fica a pergunta: como é possível que se tenha eleito alguém para PR que esfrangalhou tudo o que este país tinha, deitou dinheiro pela janela fora, e agora assiste impávido e sereno ao que se está a passar? De quem é a culpa? Do Gaspar? Não. É de todos. Nós. Ainda assim a miséria não olha a consciências, e quando ataca, não tem dó nem piedade. Custa-me ler histórias destas, claro. Custa-me pensar em quantos milhares de crianças passam fome. Fome. Não apenas de bolachas, mas de leite e pão, de cereais e carne, de arroz e peixe. Quem nunca pensou em ser pobre, está a passar agora uma fase decisiva. É preciso reeducar, repensar a maneira de viver, reduzir ao máximo e viver um dia de cada vez. É horrível, sim. Mas cabe-nos também a nós acautelar o futuro, aprender com os erros dos outros e olhar em frente com esperança. Se a tenho? Não todos os dias. Se acho que vale a pena? Não todos os dias. Se me conformo? Não todos os dias. Mas nos dias em que acontece, sinto uma nova alma a nascer, com uma esperança nova num mundo melhor. Quero muito viver. Quero muito que isto se componha. Quero muito "um país melhor". Por isso, senhor Nicolau Santos, se assistiu a essa cena e esperou que fosse a senhora de trás da fila a pagar o pacote de bolachas, não tem moral nenhuma para escrever acerca da pobreza. O jornalismo serve para anunciar e denunciar, mas sem nada fazer vale do mesmo. Aproveite para juntar às notícias os locais e campanhas que se fazer para fazer face às necessidades de quem  mais sofre. Publique fotos num dia no Banco Alimentar. Verá que além de comover os corações dos leitores, aconchega o coração de quem mais precisa, dando-lhes o que mais falta lhe faz: comida.

E dito isto, vou à minha vida, que o fim de semana está à porta!

1 comentário:

  1. Às vezes acho mesmo que isto vai durar aí uns 5/10 anos... Outras, acho que precisamos desse tempo para reaprender e mudar muito do que fazemos mal. Aproveitar melhor o que temos, viver melhor, saber dar prioridade ao que efectivamente importa. E depois, há outras vezes, em que me apetece meter 90% da classe politica num saco cheio de pedras pesadas, e atirá-los TODOS ao mar. Pronto, é isto.

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