quinta-feira, 31 de maio de 2012

Acabei, finalmente...

... de ler "Amor em Tempos de Cólera". E sim, vale a pena.

Gabriel Garcia Marquez tem um tudo-nada-de-valor a escrever. A história conta a história de várias histórias entrelaçadas num tempo que em a sociedade era outra, a vivência era outra, os amores eram outros. E acho que a parte do título "em Tempos de Cólera" está lá só para enganar.

A verdade é que sim, a história é relatada num tempo em que a cólera atacou "em grande" e milhares de pessoas morreram à conta disso. Mas também se podia chamar "Amor em Tempos de Gripe", porque qualquer doença/maleita que fosse colocada no título... serve para enquadrar a época, mas é "perfeitamente irrelevante" para o conteúdo do livro.

Off-topic: Quem quiser ler o livro, pare por aqui. Senão vão ficar a saber a história. E eu avisei!

Fiquei impressionada com a determinação de Fermina, com a perseverança quase irracional de Florentino, com a metodologia de Urbino e com o triângulo amoroso que entre eles se formou e que durou 50 anos. Sim, 50 anos. 50 anos de um casamento mais-ou-menos feliz de Fermina e Urbino, 50 anos de um amor platónico de Florentino por Fermina e de muitas mulheres que lhe passaram pelas mãos, não tendo nenhuma conseguido que ele "assentasse" "lá por casa". E o que acontece quando Urbino morre (e pah, que morte estúpida... acho que lhe podia ter arranjado qualquer coisa melhorzinha... ele era médico, caramba!) ? Eu pensei que Florentino ia acabar tal qual viveu 50 anos: sem Fermina. Pois enganei-me. E o que dizer de um amor entre pessoas de 80 anos ? A "frase" que acompanha o título é a que melhor reflecte o conteúdo: "Quando tempo esperaria por um amor?" Ao que parece, há quem espere muito tempo - Florentino. Enquanto esperou, deu anonimamente largas à veia de poeta, fez nome, fortuna e conquistou a posição social que alguém "filho de pai incógnito" não tem regularmente. Viajou apenas uma vez - algo um quê de redutor para quem dirigia a companhia fluvial das caraíbas - para não perder de vista a "tal". E por fim, (e hão-de reparar na referência às "recentes" máquinas de escrever) com um chorrilho de cartas conquistou a mulher que desejou 50 anos. Acabou com a mesma referência à importância das cartas na altura com que começou.

As descrições são muito boas, completas, deliciantes. Os cenários são bem construídos, as intrigas oportunas, o jogo de vidas bem montado. Adorei Leona Cassiani, América Vicuña, e muitas outras personagens que o livro faz surgir, desaparecer e resurgir com uma classe e elegância soberbas.

Veredicto:

Very Much!

2 comentários:

  1. pronto, eu só li metade do texto (quero mm ler o livro!). Ainda bem que gostaste! :)

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  2. Fazes bem, porque vale mesmo a pena! :)

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