... e o bem que isso (nos) faz é um tema largamente discutido nos dias de hoje, em que a crise arruina famílias, desgraça empregos, sacrifica pessoas.
Há sempre um familiar/amigo/conhecido que passa dificuldades, pessoas que conhecemos nos nossos dias e nas nossas horas. Pessoas com rosto, com voz - e a essas é sempre mais fácil ajudar. Porque estão ali, porque fazem parte de nós ou das nossas vidas.
Mas e quando, num apelo à blogosfera contando uma história (lá está, de alguém que faz parte da vida de alguém) sobre uma criança e os seus pais,
também se gera uma onda de solidariedade? Somos um povo solidário, dado às causas humanas, e gostamos de ajudar.
Sim sim, existem n de pessoas e crianças com dificuldades neste mundo, mas a Bia tem um rosto para alguém, e portanto também tem para mim - numa iniciativa conjunta com a
Vera, juntámo-nos à causa e ajudámos como pudémos.
A história da Bia (e respectiva família) é tão simples como bonita, cheia de coragem, força e vontade de viver.
Deixo-vos assim um pequeno excerto da sua história, do sítio onde a conheci:
""Tens um mano na tua barriga?" - entrou de rompante pelo meu quarto. A mãe, internada no quarto ao lado, tentou demove-la. " Não incomodes a senhora! Anda cá!". Mas ela continuava a olhar para mim, de pé, à beira da minha cama de hospital. Olhos azuis, cabelo louro, 4 anos de gente.
...
A mãe, pálida e com ar gasto, grávida do mesmo tempo gestacional que eu, a contar-me da leucemia da filha, dos tratamentos de quimioterapia, da gravidez que pode ser uma esperança de vida, de mais vida ainda, o verdadeiro milagre da vida, para a filha que já vive. Das possibilidades de compatibilidade do novo bebé, que entretanto ganha pouco peso no útero, fruto do sistema nervoso da mãe que, internada, não acompanha pela primeira vez, em dois anos e meio, o ciclo de químio da filha.
...
E a menina canta- me aos pés. Elevo-a no elevador da cama, fica alta no cimo do colchão elevado. "Vou tocar no sol!"- e não parece doente, enquanto escorrega pelas minhas pernas, se ri às gargalhadas e folheia um livro que me ofereceu uma leitora deste blog.
A mãe a insistir que me deixe sossegada, sorriso exausto. Está desempregada, " ninguém dá trabalho a uma mulher que tem que faltar uma semana por mês para acompanhar a filha na quimioterapia". E, agora, internada. O marido teve que meter baixa para a substituir- "o dinheiro da baixa não vem logo no mês em que gozamos a baixa, este mês nao sei como irá ser". A filha, tagarela, dá gargalhadas e, por um momento, o sorriso abre-se, alheio aos problemas. Acaricia a barriga, como que a regar o crescimento do bebé que aí vem.
...
Lembro- me das discussões que temos tido acerca da preservação de células estaminais. Banco Público ou empresa privada? Se colocarmos no Banco Publico e aparecer alguém que precise, a nossa filha fica sem as suas células disponíveis. No Privado as células serão sempre guardadas para ela.
E a menina ali ao lado, a precisar de um transplante de medula. Não pode haver egoísmo na humanidade. Nem umbiguismo. Se a nossa filha fosse compatível, não hesitaríamos um segundo, sabemo-lo com o olhar, as palavras não são precisas.
E, finalmente, respondo "Sim, tenho uma (m)Ana na barriga!". Porque todos os bebés deveriam ser irmãos da menina.
A minha sê-lo-á."
em Quadripolaridades,
aqui
"A mãe da Bia não me pediu nada nem eu queria pedir nada quando decidi contar a história da menina. Queria, tão só, partilhar convosco como por vezes nos centramos nos nossos problemas e no nosso umbiguismo e não nos damos ao trabalho de olhar para o lado e ver como há pessoas que nos dão lições de vida, sem se queixarem e sem auto-comiseração. Como podemos marcar a diferença se pensarmos macro e nos virmos como um todo, uma corrente de seres humanos interligados e que se podem ajudar com coisas simples. E queria, finalmente, explicar porque vou optar pelo Banco Público quando a minha filha nascer ao invés de pagar a um banco privado.
Então, explicar à mãe da Bia que tinha amigas que a gostavam de ajudar foi complicado. É estranho explicar a alguém que "sabes, tenho um blog e as pessoas não me conhecem mas falei da tua história e querem ajudar-te!" soa meio weird. Mas a mãe da Bia não complicou e, comovida mas com a dignidade que lhe reconheci desde o primeiro dia, não nega a ajuda que lhe quiserem dar e que será, com toda a certeza, oportuna nesta altura.
A mãe teve alta e está a descansar em casa agora, à espera que o novo bebé ganhe mais peso e lhe possa ser agendada a cesariana. Vai-se chamar Guilherme.
A Bia continua em tratamentos, uma semana por mês faz quimioterapia no IPO de Lisboa. Mas deviam conhecê-la e perceber a energia que ela tem. Uma lição de vida.
E agora percebo a história de "estar de esperanças". Acho é que não se aplica só ao estado da gravidez. Porque, aprendi convosco uma coisa: quando a causa é maior estamos todos de esperanças.
Um bem-haja a todos."
em Quadripolaridades,
aqui
"Ainda estou tonta com a avalanche de amor que aqui demonstraram.
Sei que pedidos de ajuda toda a gente recebe todos os dias. Sei que, às vezes, eu não sou nenhuma benfeitora real e, também eu, ignoro e-mails e status de facebook semelhantes ao que aqui vos deixei.
Mas, quando um par de olhos azuis e um sorriso destes se cruza no nosso caminho, é real e palpável, não há como passar em frente.
Até a esta hora, mais de 300 pessoas partilharam este link de facebook e quase 5000 pessoas conheceram, agora, a história da Bia.
Então, organizando ideias, como se pode ajudar?
- Primeiro e, mais importante, tornando-se dadores de medula óssea. Tudo o que precisam de saber sobre este assunto está aqui. Bem sei que está calor, que é um maçada ir dar sangue até ao hospital e que há montes de motivos para ir adiando a ida. Mas eu conheço a Bia e- garanto-vos!- a Bia é uma razão suficientemente forte para levantarmos o rabo da cadeira e agirmos.
- Organizando no local de trabalho, no clube, no sindicato, nas reuniões de tupperware ou nas da mala vermelha, no ginásio ou na universidade uma recolha de sangue em parceria com o hospital da V. residência. É uma forma de mobilizarem colegas e amigos em torno de uma causa nobre.
- Se está grávida doando as células estaminais do cordão umbilical do seu bebé para o Banco Público. Isto é, optando pela criopreservação das células do sangue do cordão umbilical na LUSOCORD.
- Ajudando monetariamente a família através de transferência bancária para o NIB 0010 0000 2623 6280 0018 3 (by the way, o nome do titular é Christian Zorzytzky, o pai da Bia é alemão. A mãe é portuguesa.).
- Angariando fundos para ajudar a família através de ideias giras ou mobilizando as empresas onde se trabalha ou onde se tem contactos numa perspectiva de responsabilidade social.
- Oferecendo bens. A família receberá o novo bebé em breve e sabemos as despesas que isso acarreta. Bens de farmácia, leites em pó, fraldas, soros, toalhitas, roupinhas ou o que se lembrarem que pode ser útil e fazer a família poupar dinheiro nesta fase.
- Contando esta história nos V. blogs para a difundir, tal como já fizeram a Me, a Mac, a Leididi, a S* ou aTurista.
- Divulgando esta história massivamente por e-mail ou através do facebook de forma a podermos fazê-la chegar a tanta gente quanto possível.
E eu? Eu sinto-me pequena, minúscula ao pé de vocês!
Obrigada é pouco para vos agradecer. :)
Eu estou de esperanças. E vocês?"
em Quadripolaridades,
aqui
Nós, também estamos de esperanças. E por esse mesmo motivo, fomos à compras e de seguida ao correio, para juntarmos a nossa ajuda à ajuda de muitos:
(cabaz de ajuda da iniciativa)
Tudo de bom para a Bia e o Guilherme e os pais... e que possam sempre viver!