...
again.
Faltam 12 dias para o T. chegar. Entretanto, sucedem-se festivais, feiras, aniversários, nascimentos - coisas boas!
E podem acreditar que é verdade: só quando estamos entusiasmados com alguma coisa e queremos contar - mesmo tipo criança com um doce, ou quando queremos partilhar (uma foto, uma conversa, um desabafo, uma vista bonita, ou até mesmo uma lágrima quando um barco zarpa do cais), é que nos damos conta da falta que as pessoas nos fazem.
Aquelas pessoas que de tão próximas, fazem parte de nós. Aquelas cuja luzinha ilumina os nossos passos, e cuja presença dá sentido aos nossos dias. Aquelas que, não importa a distância, estão sempre juntinho a nós. Aquelas cujas palavras nos dão alento, e cuja ausência nos deixa sempre um bocadinho mais vazios. Aquelas por quem esperamos sempre, mesmo que debaixo de chuva, só para sermos os primeiros a
estar lá.
Ontem, o Creoula zarpou para os Açores, com a tripulação completa. São 3 dias de viagem, por mares muito conhecidos e, a menos que o azar lhes bata à porta, será uma viagem tranquila. Quando saiu do cais, soou o som grave e longo da buzina. Os outros, desejaram boa viagem respondendo de igual forma. A mim, caiu-me uma lágrima, não porque fosse no barco alguém que eu conheça, mas porque é sempre um momento emotivo e eu sei bem o que são despedidas. Imagino agora, à semelhança do que eu sinto, quem vê partir nos barcos os filhos, as filhas, os pais, os maridos - e a eles cabem-lhes meses de espera. Dizem que a chegada é que é bonita - com as velas abertas ao vento, os oficiais alinhados de encontro ao cais, os tripulantes desejosos de meter pés em terra. Todos cantam. E é assim mesmo que deve ser. Porque que ainda que seja para
voltar a ir, a
chegada é sempre o melhor dos dias.