domingo, 12 de janeiro de 2014

e assim, sem dar por ela...

... começei. quando calçei as sapatilhas para sair para a rua correr, pensei que iam ser apenas mais 10 quilómetros - num percurso para lá de bonito. no vai não vai que envolve todo o processo de levantar do sofá, largar a lareira, sair para o frio - e sabendo o que me espera no "durante" - esqueci-me do meu shuffle em casa. resultado ? uma hora inteirinha comigo, sem distrações que me levassem o pensamento para longe de mim mesma.

a corrida é um desporto solitário - não interessa o número de pessoas que correm ao nosso lado. é solitário porque é muito mais psicológico que físico. e o antagonismo que se sente no corpo é tão palpável que é impossível esconder: nos primeiros quilómetros, o corpo, ainda por aquecer, grita que não quer ir mais longe - e a nossa mente diz "ppfff, anda lá, não sejas maricas - mexe-te!", e continuamos convictos que estamos bem, que não sentimos dor, que é só mais uma voltinha no parque - porque é a nossa mente que manda; há um período intermédio em que, depois do corpo aquecer um pouco, corpo e mente estão em sintonia - e a viagem, nesse pedaçinho de tempo, é ótima - ambos sabem que estão bem, que se complementam, que estar ali é fantástico, blah blah - e eu digo blah blah porque este pedaçinho de sintonia é tão curto, que não dura para chegar a mais conclusão de nirvana nenhuma. e aqui começa o inferno: o corpo, já quente e habituado a estas andanças, sabe exactamente o que tem que fazer - entra em piloto automático e é capaz de continuar no mesmo ritmo cardíaco, cadência respiratória e desempenho muscular por tempos infinitos - mas a nossa mente começa a dar sinais do inevitável - a solidão, o tempo dispendido, a concentração e o foco, o auto controlo e o nosso próprio pensamento focado durante tanto tempo em nós mesmos - ficamos figurativamente parados a olhar para a enorme parede que nos separa dos quilómetros finais e que nos dá a ideia que nunca haveremos de lá chegar. chega o momento em que pensamos "já chega. mas para que é isto tudo? vamos lá com calminha até ao fim..." mas nunca deixamos de correr. abrandamos, e sentimos culpa; voltamos à velocidade de cruzeiro e batemos na parede outra vez. e o ciclo repete-se. e outra vez.

é este o antagonismo da corrida: isto acontece a partir do momento em que a solidão nos quebra - porque o nosso corpo, que efectivamente sente a dor da corrida, já está bem consigo mesmo e com a eficácia que produz - mas a nossa mente, que devia ser inquebrável, quebra - e mais uma vez, é a nossa mente que manda. é o processo construtivo da nossa personalidade - iremos quebrar tantas vezes quantas as necessárias até aprender. aprendemos a arranjar substitutos onde focar a atenção, aprendemos a desviar a solidão, aprendemos mecanismos de motivação, aprendemos a controlar o nosso esforço naturalmente, a gerir o nosso cansaço e a ultrapassar a parede. por isso é que não sou fã de correr sozinha - prefiro ter alguém ao meu lado: pela motivação mútua, pela companhia silenciosa mas presente, pelo outro par de sapatilhas que acompanha o meu, sem medos e com um objectivo comum: a superação. porque quando se chega ao fim, sabe sempre muito melhor partilhar o gostinho da vitória - materializado naquele sorriso que ainda somos capazes de desenhar no nosso rosto, enquanto recuperamos a respiração e deixamos que o cansaço nos preencha, aí sim, completamente.

divagações à parte - eu gosto de correr. porque é fácil - só são precisas as sapatilhas, porque nos constrói física e mentalmente, porque molda o carácter - e, para quem sabe o que correr acompanhado significa - fortalece e enriquece naturalmente laços de amizade que de outro modo seriam apenas normais. ontem, e na falta da distração que a música fornece durante a viagem, dei por mim a desenhar uma história - personagens, lugares, relações. dei por mim a criar um enredo, uma intriga. dei por mim a criar vidas, cruzamentos, ligações.

dei por mim, no final, com material suficiente para debitar dois capítulos de um livro, acerca de personagens por quem já estou apaixonada. sabendo eu que isto ia acontecer - é maravilhoso termos dentro de nós um mundo que pode ser tão profundo quanto o que nós quisermos, tão complexo quanto o nosso próprio ser e tão cheio quanto o que a nossa imaginação permitir. vou aproveitar a tarde de hoje, em que vou passar horas sozinha, para começar a escrever. sem pressas, sem stresses, sem prazos, sem pressão. e vamos ver até onde chego...

desejem-me sorte, porque ao que parece isto vai mesmo acontecer... e eu vou precisar dela!

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

a técnica

a técnica passou a ser, recentemente, sinónimo de sorte fenomenal - e eu ontem, tive técnica-como-o-caraças.

ainda assim, a técnica é como muitas coisas na vida e pode-se comparar muito basicamente ao gato de Schrödinger: o gato na caixa pode estar vivo ou morto, mas só sabes se abrires a caixa e confirmares - só assim tens a certeza. a técnica é mais ou menos assim... para poderes beneficiar da técnica tens que pagar para ver.

eu ontem paguei. e, surpresa das surpresas... virou precisamente a (única) carta que me servia para transformar o meu já garantido 99 num straight flush. dois projectos transformados numa mão fenomenal. no river. foi impossível não sorrir - afinal, um straight flush não me passa pelas mãos assim tão frequentemente.

soube-me bem. estou a falar de póker. mas podia muito bem estar com o gato de Schrödinger a falar de outra coisa qualquer. qual-quer. mas hoje, estou a falar de póker.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

ontem, deixei em rascunho

um post acerca dos dias tristes sem sol. falava da falta que o sol me faz,os dias bonitos em que só apetece sorrir por motivo absolutamente nenhum, que nos aquece o corpo e a alma. dizia eu que me faziam falta os dias de sol, porque num dia de sol, há pelo menos um motivo para sorrir. e ontem, foi um dia com escassos motivos para sorrir.

hoje, qual não é o meu espanto, quando saio à rua e vejo um sol envergonhado - mas muito bonito - a querer dar ares da sua graça... e, inevitavelmente, sorri. hoje, primeiro dia de sol entre muitos, vai ser um dia bom.

... eu não sabia era que bastava pedir!

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

leio, de onde a onde

crónicas fenomenais, e gostava de ter a mesma capacidade de publicar os meus sentimentos, pensamentos, heresias e opiniões. um dia, eu vou escrever um livro - e isso é um dado adquirido. mas acho que, por mais que coloque em cada palavra que escrevo um pedaço de mim, ainda me falta palmilhar muitas pedras da calçada até ter a maturidade suficiente para transformar este mar de palavras que vive em mim num texto que transmita precisamente esse mar de palavras.

porque não chega ter a imaginação, não chega ter o vocabulário, não chega ter toda a complexidade do ser humano encaixotado num coração só, não chega ter a desenvoltura da escrita nas teclas - de quem conhece o sítio das letras de olhos fechados - nem sequer chega ter o amor aos livros que só se denota em quem, quando folheia um livro pela primeira vez, sente o apelo indescritível do cheiro das folhas - a histórias, dramas, intrigas, amores e desamores, encontros e desencontros - e não resiste a encostar o nariz ao livro e inspirar, como quem quer arrancar do livro não só a mensagem, mas também a essência. e quanto mais velhos forem os livros melhor - além da história do escritor original, ficam marcadas também todas as histórias das pessoas por quem o livro já passou - aquela mancha da lágrima que caiu precisamente quando ele lhe disse a ela que a história dos dois já não lhe interessava, ou o pedaço de chocolate que deixa adivinhar um serão à lareira numa noite chuvosa e fria, as letras distorcidas pelo pingo de café que caiu na folha - vindo de uma leitura tão intensa e absorta que a chávena de café deixou de existir fisicamente na mão de quem a segura, ou ainda aquela marca no canto da folha, que mostra as várias paragens de alguém no desenrolar da história.

quem lê um livro, não passa só os olhos pelas folhas: quer mergulhar num mundo isolado criado na imaginação, onde cada personagem é mistificada de acordo com cada desejo do leitor - e, o que torna isto ainda melhor, é que cada livro tem uma infinidade de mundos possíveis - tantos quantos os leitores que lhe passarem os olhos. ter o privilégio de proporcionar todos estes mundos, só com a imaginação, é extraordinário. e eu quero ter esse privilégio. quero partir das minhas histórias, das minhas experiências, dos meus dramas e desilusões, alegrias e vitórias - e criar um mundo que seja para mim tão extraordinário e profundo que eu seja capaz de o partilhar com o mundo, deixando assim que um pedaço de mim fique para sempre na memória de quer passar os olhos pelas folhas do meu livro.

não quero um mundo perfeito. quero um mundo meu - com todas as imperfeições de carácter, todas as curvas (e contracurvas) da vida, com todos os dias de chuva, com todas as contrariedades. mas, ao invés da minha realidade, quero refazer todas as minhas escolhas erradas - e ver no que dá. criar uma infinidade de caminhos possíveis para cada escolha: escrever cada um deles, reler, e reler outra vez, até perceber se aquele caminho seria mesmo uma escolha que eu fizesse. provavelmente, acabaria por deixar escritos precisamente os caminhos que tomei - mesmo sabendo o resultado. porque o que sou hoje, o imenso baú de recordações, a enorme profundidade e complexidade do meu ser, o carácter que possuo, o ser humano que me conheço hoje, existe por causa de todas essas escolhas - erradas ou não, fizeram de mim o que sou hoje. e, diabos me levem, sou muito orgulhosa de mim!

um dia, eu vou escrever um livro - e isso é um dado adquirido. e se calhar, pensando bem, já tenho a maturidade suficiente para começar a escrever umas linhas... e ver no que dá.

domingo, 5 de janeiro de 2014

aquele momento...

... em que, do alto da tua inteligência, pensas que estás a fazer algo fantástico e depois.... só consegues pensar "sou mesmo assim tão estúpida?"

Ah, adoro estes momentos!

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

como é que é possível...

... que este badameco tenha passado disto

(Titanic)

a isto ?
(The Great Gatsby)

A evolução deste meia-leca desde os tempos d'"A Praia" ou "Titanic" foi surreal: Gangues de Nova York, O Aviador, Os Infiltrados, Ilha do Medo, A Origem, Django e pronto, The Great Gatsby... grandes filmes, protagonizados por um badameco por quem eu não dava tostão à uns anos atrás! There you go, Leo... well done!

feliz 2014

acho engraçado como 90% das pessoas começa "anos novos" a mentir - e pior, a mentir a si mesmos. os "neste ano eu vou..." são imensos, e duvido que alguns cheguem sequer a sair do pensamento.

independentemente do quão mágico seja o virar de um ano novo, com 365 páginas branquinhas para se poder escrever um livro fantástico... a vida dá-nos oportunidades todos os dias. para mim, a resolução de 2014 é tão somente ser capaz de ver as oportunidades, ter a capacidade de as agarrar, a força para as concretizar, e - porque não vou conseguir sempre - a lucidez para perceber onde falhei e como é que posso fazer melhor.

não quero só desejar um bom ano... quero fazê-lo acontecer. assim: que haja saúde, trabalho, amor, família, amigos... e muita felicidade - que os sonhos estou cá eu para os fazer acontecer!