quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Nostalgia

Hoje, pela hora do café, a conversa caiu no judo. E eu, instantaneamente, senti saudades. Saudades do tempo que já lá vai (apesar de eu dizer centenas de milhares de vezes que não tenho saudades, não é bem bem verdade...), do judo em si, das pessoas, do sítio. Já lá não vou faz 8 anos. 8 anos numa vida não é muito tempo, mas olhando para trás, é tempo suficiente para me matar de saudades. Fiquei nostálgica, quando me lembrei das horas passadas no tatami, das pessoas do dojo e até do meu quimono. Senti falta de arrumar o saco, dobrar o meu cinto com cuidado, dos vestiários, e do branco das vestimentas. Senti saudades de atar o cinto: primeiro o branco, depois o amarelo, o laranja, o verde e por fim o azul, que foi onde parei a minha instrução. Senti saudades de dar o nó, ajeitar as abas do quimono e... agarrar a aba do parceiro. "Desiquilibrio, técnica, força e cair no chão". A disciplina, o respeito e a amizade que se gera naquele ambiente é eterna. Uma vez judoca, para sempre judoca. E hoje, tenho saudades. Saudades até das caimbrãs, das nódoas negras e dos pulmões comprimidos quando a queda não era feita em perfeitas condições. Sinto saudades da textura do casaco, do cheiro característico do espaço e do cansaço quando, depois de duas horas de treino, finalmente nos despedíamos do tapete verde. Sinto, acima de tudo, saudades de mim e apetece-me chorar porque vejo hoje que deixei ir uma parte de mim importante o suficiente para, 8 anos depois, ainda saber o que é o ippon, o koshi-guruma, o sumi-gaeshi e outras tantas por aí. Saber que quando estamos em apertos, 2 toques no parceiro ditam a nossa derrota. Que quando caímos de costas, acaba o combate. Deixei ir, e parece que desisti. E no final das contas, eu gostava daquilo. E desisti. E tenho pena, e saudades. E é isto.

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