sexta-feira, 6 de julho de 2012

De madrugada...

Acordei sem motivo aparente, e tive uma enorme dificuldade em conciliar o sono de volta. O gato dormia enroscado ao fundo da cama, e ficou aborrecido quando me mexi e o acordei. Olhou-me com aquele olhar de quem foi incomodado - um olhar quase de desprezo absoluto pelo meu mau dormir.
Fiz-lhe uma festinha no pescoço, ele ronronou e desculpou-me pelo meu atrevimento. Mas alheio às horas que aí vinham, depressa me ignorou e se voltou a enroscar numa das muitas posições engraçadas que ele assume. Senti-lhe a respiração a acalmar devagar, e em 30 segundos estava de novo descansado a dormir.

Deviam ser 4 quando acordei - pensei "está frio" e ajeitei as cobertas para me manter confortável - e às 4h30 (eu gosto pouco de esperar) decidi que não valia a pena manter os olhos fechados à espera que o sono voltasse. Até porque a irritação de não conseguir dormir - porque eu queria e precisava mesmo de dormir - já me estava a causar um nervoso miudinho que me dá cabo da paciência e do coração. Chegada à conclusão de que não valia a pena, sentei-me - e voltei a pensar "está frio, bolas!" - , e ponderei ligar a TV, apenas para ver se o barulho e a companhia me ajudava no meu propósito... Liguei então o aparelho (que está desligado há precisamente 33 dias)  cheia de esperança, mas depressa me apercebi de que estava desperta e que a porcaria de programas que dão a essa hora são literalmente uma merda.


"M#$d*, e agora?!?" - eu já praguejava e insurgia-me contra a minha sorte: a verdade é que ando mesmo a precisar de dormir. Os meus dias são cheios de coisas para fazer, assuntos para tratar, coisas para ontem e antes-de-ontem. A isso, costumo juntar-lhe mais um par de projectos, sonhos e desejos para fazer assim que puder. Ando exausta, porque me fazem falta imensas coisas - coisas às quais efectivamente só se dá valor quando elas (ainda que temporariamente) não estão lá para nos fazer sentir melhor - ou neste caso, para nos ajudar a dormir.

Ainda fiquei um bocado a pensar num ou outro assunto - que não interessa nada para o caso - e eram 5 da manhã quando liguei a luz da mesinha de cabeceira - que se vocês vissem, até se assustavam: tem, neste momento, mais 20 coisas do que aquelas que consegue armazenar (entre despertadores, óculos, contas para pagar, bricos, relógios e anéis espalhados, livros empilhados, telemóveis a carregar, phones pousados ao acaso, um jarro com orquídeas e uma taça com os restos do gelado de stracciatella que ingeri depois de um jantar pouco composto... a colher entretanto já tinha caído para o chão, e ficou em cima do transformador do pc que, à falta de espaço na mesinha de cabeceira, ficou no chão) - e peguei no livro do topo da pilha.

Abri o livro (ainda estava intacto desde que pousei no meio dos outros) e respirei fundo. Coloquei os óculos e virei a primeira página. As primeiras linhas prenderam-me, e continuei a ler. Claro está que, 2 horas depois, já a cair de sono, recusei-me a largar a leitura. "Só mais um bocadinho" - pensei eu, e pensei-o muitas vezes. Só nesse pequeno espaço de tempo li passagens de batalhas, de derrotas, de esperanças e temores. Consegui odiar ainda mais o William, adorar mais o Philip, ter compaixão pelo Estevão, e sentir orgulho pela Aliena e pelo Tom. Comovi-me com o Jonathan, irritei-me com o Warelan e o Henrique, e fiquei espantada com a Matilde. Mas queria ler mais um bocadinho. E, quando dei por mim, eram 8h48, já muito além da hora de levantar, e pousei o livro de muito mau grado. Tive que me apressar, mas fiquei mesmo com pena de ter que parar de ler.

O livro, é este:


... e agora tenho sono, estou ressabiada e de mau humor. O meu mau feitio está ao rubro, e só é aplacado por saber que hoje é sexta-feira... e logo vou poder ler mais um pedaço. 
Sexta-feira, podes acabar por favor?

1 comentário:

  1. Eu quero desesperadamente que esta sexta acabe. Desta feita até dormi bem (cortesia de uma massagem de 1h30 que a minha irmã me fez!!) mas... já soube que é bem provavél que para o ano me corte os subsídios e o T. já estourou um pneu do meu carro (que são novos e caros como o raio).

    Já inspirei e expirei muitas vezes, nesta semana caótica. Valha-me este fim de semana que vai ser fantástico (tem mesmo que ser!) . Odeio esta característica de alguns cérebros que não nos deixa dormir apenas... quando estamos exaustos. E depois parecemos verdadeiros zombies, aluados, impacientes, só a fazer asneiras. "nossa, ninguém merece!!" (ler com sotaque!).

    Gostei do texto. Gostei da forma como o escreveste, com descrições e imagens longas. E gosto muito dos Pilares da Terra. É incrível o poder de transporte que esse livro teve em mim. Tenho mais um do Follett em espera. Venha ele!

    ResponderEliminar