Trouxe mais umas obras, mas ficaram muitas outras que eu gostaria de ter trazido.
Sempre achei que gastar dinheiro em livros é um bom investimento. Gastamos dinheiro em histórias, contos, romances e dramas, em locais fictícios ou anormalmente conhecidos, em amores comuns e guerras surreais. É dinheiro investido em folhas que ficam numa estante depois de lidas, mas que nos enriquecem como pessoas. Adoro ver estantes cheias de livros, porque cada livro também é parte de mim. Em cada folha, está um sonho meu, um espanto, um suspiro, uma lágrima. Em cada linha, em cada palavra, estão pensamentos, desejos, sonhos e ambições, (des)ilusões, incompreensões e tristezas.
Leio cada livro como se fosse a minha vida ali, estampada. Gosto de tornar os personagens meus amigos, meus parentes e meus inimigos. Gosto de ser mais uma personagem na história, de fazer parte da trama, de amar cada personagem - às vezes, até mesmo os vilões.
Gosto de atafulhar a casa de livros. Gosto de ter mais este e este e aquele. De ler este e aquele autor. De gostar de uns, e detestar os outros. Gosto de falar sobre os livros, de partilhar experiências, e de ver que somos todos tão diferentes. Gosto de oferecer livros: abrir portas para mundos maiores que o nosso, ou mais pequenos que o nosso, ou diferentes do nosso, ou simplesmente, abrir portas. E gosto do sorriso de quem desembrulha um livro, porque sabe que ali estará também um pedaço de vida que, sendo real e inquietante, é apenas de quem a lê.

Quero continuar a comprar livros, porque um dia, quando não couberem mais livros nas estantes lá de casa, posso oferecer partes de mim e fazê-las viver na vida de outras pessoas. Porque gosto de fazer a diferença, marcar nem que seja um pedaço da vida de quem por mim passa - uns vão ficando, os outros vão indo e vindo, e outros ficam bem lá atrás no passado - mas a oferta de um livro deixa-me a sensação de que eu até posso passar, mas ficarei sempre naquelas folhas.
Gosto dos livros por tudo isto - mas ainda mais porque me tornam melhor pessoa de cada vez que me decido a pegar em mais um. São compromissos - de 500 folhas, mas são compromissos. Chegar ao fim, reflectir, sentir, viver, detestar ou amar - ler um livro representa colocar todo o corpo/cérebro a funcionar. E sou vaidosa porque me orgulho de saber que de cada livro tiro muito mais do que o autor quis que eu tirasse. E prova disso são as milhares de opções que vou criando na minha mente para cada cena.
Livros. Um dia, vou escrever um. Nem que seja para chegar à conclusão de que sou uma leitora assídua, pontual e motivada, mas uma péssima escritora. Mas vou escrever um. Podem esperar por isso.






Gosto especialmente deste post (acho até que é o meu preferido desde... sempre!). Conseguiste dizer exactamente aquilo que penso.
ResponderEliminarQuando olho para os livros vejo muitas coisas, mas vejo, sobretudo "futuro". Quero muito conseguir transmitir aos meus filhos o gosto pelos livros. E mais do que isso, imagino-me na reforma, a fazer o mesmo aos meus netos (!). A ser a velhinha que lhes mostrou a genialidade o Garcia Marquez e do Saramago, que ainda se lembra do Ega e do Carlos da Maia em Sintra mas que também pode contar-lhes a história de um puto inglês de cicatriz na testa, que afinal era mágico! E depois há os poemas do Caeiro e do Reis, os sonhos da Sophia, os Autos do Gil. E as histórias de outros mundos e outras épocas que o Follet conta tão bem.
Quero um dia ter uma casa cheia de livros. De bons livros. Intemporais. Adoro livros infantis, adoro livros clássicos, adoro livros técnicos, adoro livros bonitos. E depois... depois ainda há as histórias por trás das histórias dos livros. How perfect is that?
E o cheiro dos livros, quando são mesmo mesmo mesmo muito antigos? As lombadas texturadas, as folhas cor de sépia, as letras normalmente "arial" ou "courier new" e quiçá às vezes "times new roman"? A textura das folhas, as marcas da leitura, a marca dos pingos que às xs caem quando já não dá mais para não chorar?
ResponderEliminarO que mais me toca são as reflexões, histórias de vida, lições a aprender que os livros nos dão. Quantas vezes, num determinado momento pior, não sentimos que "afinal, já solução: se eles conseguiram, eu também consigo". É preciso saber vê-las, interpretá-las, dar-lhe sentido prático e aplicá-las. Mas quem tem o dom de as conseguir perceber, tem nos livros um imenso oceano de histórias que provam que "sim-é-possível".
Adoro livros e adoro ler, e ponto. E aih de quem me vier dizer que é desperdício: são caros, ocupam espaço e depois ficam a modos que a apanhar pó lá encostados. Mas são um conforto, são amigos, são mundos ali à mão, que alguém desenhou para nos fazer sonhar.
Podia escrever muito acerca do que sinto pelos livros, mas também - tal como tu - gostaria que os meus filhos fossem capazes de ver o que eu vejo quando olho para um livro. Porque mais do que lhes deixar os livros em si, gostava de lhes deixar a capacidade de serem um pouquinho mais felizes quando sentissem o coração a rebentar de emoção quando lessem que "na página 195 ele percebeu que ela ia morrer e decidiu que enquanto ela vivesse queria fazê-la feliz"!
É simplesmente... perfeito!
Sim! O cheiro, a cor, os restos "de outro alguém". É tão bom.
ResponderEliminarEu consigo chorar e rir com as personagens de um bom livro. Consigo irritar-me a sério, ter medo, assustar-me. Consigo adorar uns e odiar outros. E aquelas pessoas existem e vivem mesmo para mim, durante o tempo do livro. Cada livro é uma janelinha para as histórias que não vivemos e há sempre coisas a aprender, como aprendemos connosco ou com as vidas que nos rodeiam.
Ocupam espaço, ganham pó. Mas eu gosto. É como alguns CDs/DVDs/Vinis que tenho originais. Cheia de orgulho e de respeito por quem os fez. São mais que mera decoração. São bocadinhos de vida!