Hoje, estamos em
crise. Atravessamos uma altura péssima para trabalhar, ter uma casa, ter um carro, criar filhos, ir ao médico, meter filhos (
ou pais) na escola, comprar comida para casa, pagar as despesas mensais ou até mesmo, viver um dia-a-dia normal e tranquilo. Somos
literalmente abalroados todos os dias com notícias sobre cortes salarias, empresas falidas, gente no desemprego, diminuição dos rendimentos de subsistência, o aumento exponencial da emigração e da procura de recursos nos bancos de apoio alimentar, a desistência de estudantes (
que até podiam ser brilhantes no futuro) da escola, aumento de divórcios (
que também me parecem motivados pela crise), de processos de corrupção evidentes e que ficam impunes.
Poderia estar aqui horas a descrever o que hoje se vê nas notícias, na nossa rua, na casa dos nossos vizinhos e nos corredores do local de trabalho.
Mas, há 38 anos, era bem pior. Qualquer crise do mundo é insignificante comparada à opressão, ditadura, censura pré-25 de Abril.
Porque hoje, podemos escolher. Escolhemos como vivemos, quem amamos, o que somos na vida, o clube da bola, o partido político, para onde viajamos, a religião que professamos (ou não). A escolha é hoje, a par da crise, o prato do dia. Fazemos escolhas - simples ou complicadas - e vivemos com elas. E por isso, apesar da crise, vivemos melhor.
Nunca passei pelo tempo pré-25. Nunca vivi o que se lê nos livros ou ouve os pais/avós contar. Nunca vi a PIDE nem conheci Salazar como governante. Nunca cantei o hino de Portugal todos os dias no ínicio de mais uma jornada escolar, nem tive que passar fome. Nunca tive que pensar muito quando tive que exprimir uma opinião, nem sequer tive grandes problemas em escolher uma.
E por isso, obrigada a todos os que estiverem lá e me deram a hipótese de hoje, ser livre. Obrigada!